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Ecotoxicologia e sustentabilidade dos recursos hídricos

Ecotoxicologia e sustentabilidade dos recursos hídricos 


A água é o principal elemento da vida no planeta Terra, sendo vital para a sobrevivência dos organismos. É o recurso natural essencial dentro dos objetivos gerais do chamado desenvolvimento sustentável, a água doce de boa qualidade é um bem a ser estendido ainda a bilhões de pessoas, tanto nas gerações atuais como para as futuras. Porém, pode proporcionar severos danos à vida em função de sua má qualidade, servindo de veículo para vários agentes biológicos e químicos. Sabendo disto, o homem deve estar sempre atento aos fatores que podem interferir negativamente na qualidade da água que consome e no seu destino final.


A preocupação com a qualidade da água é recente, pois os projetos científicos visavam apenas o aspecto quantitativo, mas oriundo do crescimento populacional, acompanhado com o desenvolvimento industrial e a utilização intensa dos recursos hídricos, o fator qualidade passou a ser mais importante. Deste modo, é fundamental que os recursos hídricos apresentem condições físico-químicas e microbiológicas adequadas para a utilização dos seres vivos, devendo conter substâncias essenciais à vida e estar isentos de outras substâncias que possam produzir efeitos prejudiciais aos organismos.


A bacia do rio Jucu, em conjunto com a bacia do rio Santa Maria da Vitória são responsáveis pelo abastecimento hídrico da região da Grande Vitória, que abriga 50% da população do estado, incluindo o seu mais expressivo complexo industrial e comercial.


Ao longo da bacia destes rios estão situadas diversas unidades de conservação e em suas desembocaduras estão localizados manguezais com uma área de 18 km2, ou seja, 20% da área de todas as regiões de manguezal do estado (GUZZO et al., 2005).


A bacia hidrográfica do rio Jucu recebe uma alta carga de nutrientes, tanto orgânicos como industriais, e agrotóxicos originados principalmente pelo escoamento superficial das áreas cultivadas de café e banana. Às margens do rio encontram-se instaladas diversas atividades impactantes sem planejamento adequado, tais como: extração de areia para construção civil, emissão de resíduos sólidos domésticos, industriais e hospitalares; lançamentos de efluentes de pocilgas, currais e abatedouros de aves, sem o devido tratamento (IEMA, 2003).


Sabendo-se da importância da água em nossa vida e da situação atual de nossos rios mundialmente, com uma diversidade de fatores contribuindo para a sua poluição, este trabalho buscou realizar análises físico-químicas e microbiológicas das águas do rio Jucu Braço Sul, visando avaliar seu grau de poluição em diferentes pontos e, desta maneira, gerar subsídios para o resgate da qualidade de suas águas, bem como a busca de proposições para diminuição do impacto ambiental.


A avaliação da qualidade das águas do rio Jucu é uma ferramenta indispensável para que se faça o manejo sustentável e se desenvolva um planejamento de longo prazo para a conservação deste rio tão importante para a população ribeirinha e para toda a Grande Vitória.


A bacia do rio Jucu tem suas partes médias e superiores situadas na região serrana. Ambas possuem o mesmo formato, desenvolvendo-se na direção W-E. Possui uma área de drenagem de aproximadamente 2.200 km² e é um dos mananciais de abastecimento da Grande Vitória, talvez o mais representativo.


São seus formadores o rio Braço Norte, no município de Domingos Martins e, Braço Sul no município de Marechal Floriano. Deságua no Oceano Atlântico, na localidade da Barra do Jucu (SEAMA, 1994).


Conforme os resultados obtidos dos parâmetros físico-químicos e microbiológicos avaliados nesta pesquisa, considera-se que o monitoramento da qualidade da água de abastecimento público deve ser realizado constantemente, perante o processo natural de sazonalidade ocorrido neste tipo de ambiente.


De forma geral, a qualidade das águas do rio Jucu Braço Sul está compreendida como média para o abastecimento para consumo humano de acordo com o IQA. Em especial, destaca-se que próximo a cidade de Marechal Floriano e logo após a contribuição do rio Fundo, afluente supostamente contaminado que deságua no rio Jucu, já se é possível detectar indícios de poluição orgânica.


A qualidade das águas apresenta um nível mais elevado a medida que vai se distanciando desses pontos, provavelmente pelo consumo da matéria orgânica depositada, pela autodepuração, decorrente da aeração e  pelo fator de diluição, que acontece no último ponto, em função do aumento da vazão da junção de ambos os braços Norte e Sul do rio Jucu que se encontram.


Portanto, a identificação dos principais agentes poluidores, pode ajudar na prevenção de possíveis doenças veiculadas pela água, bem como buscar soluções para a diminuição ou erradicação do agente poluidor, gerando um benefício para a saúde pública.


A fim de se realizar uma melhoria da qualidade da água do rio Jucu Braço Sul, deve-se fazer futuramente trabalhos de conscientização ambiental da população ribeirinha de Marechal Floriano, que foi detectada como um possível foco de poluição orgânica, que despeja esgoto domiciliar.


Como propostas para estudos posteriores são indispensáveis análises mais detalhadas da área de estudo, além de incluir outros tipos de análises e também propor um estudo de monitoramento da qualidade da água do rio Fundo, que foi detectado como um provável veículo de contaminação fecal do rio Jucu Braço Sul.


 
 
Colunista: Rodrigo Pratte Santos e Vilma Reis Terra
Descrição: Formado em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Vila Velha (UVV) e mestrando em Ecologia de Ecossistemas pelo Centro Universitário Vila Velha (UVV). E Co-autora Vilma Reis 


Fonte: Celulose Online

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