Silvicultura bem sucedida não é questão de sorte!
A silvicultura brasileira está vivendo, nos últimos anos, um novo ciclo de crescimento. Novas fronteiras, novos clientes, muitos fomentados, enfim novos desafios! Não podemos correr o mesmo risco de épocas anteriores, quando o crescimento veio acompanhado de erros técnicos, que deixaram marcas indeléveis no setor!
“Acertar na mosca” todos os aspectos técnicos, numa região sem informações científicas seguras, não é um exercício tão simples. No entanto, o risco pode ser minimizado, quando se cerca de conhecimento profissional, quando se respeitam as restrições ou limitações socioambientais, geralmente conhecidas e principalmente, quando se afastam os oportunistas de terras baratas, sempre de plantão!
O pacote de conhecimentos que assegura o sucesso de um empreendimento florestal é amplo, e de domínio exclusivo de profissionais capacitados. Não é coisa para curiosos de boa vontade! É de fundamental importância ao se identificar um “novo site” para um empreendimento florestal, que se tenha como referência alguns indicadores técnicos, que possam servir como mínimos sinalizadores para o futuro do empreendimento.
De forma prática e simplificadamente, destacaríamos alguns dos mais simples indicadores para florestas plantadas de eucalipto ou pinus; produtividade potencial, restrições socioambientais e logística.
Quanto à produtividade, que compreende a integração dos aspectos naturais (solo, água, topografia, cobertura vegetal, etc.) e conhecimentos científicos, temos algumas faixas básicas para referência: em áreas com restrições naturais é muito difícil alcançar-se produtividades além de 20 m3 /ha/ano; em áreas sem restrições significativas, mas com possibilidades de se agregar técnicas de melhoramento, pode-se estimar de 20 a 30 m3; em áreas com condições naturais médias e agregando-se tecnologia é possível alcançar-se de 30 a 40 m3 e em áreas com excelentes condições naturais aliadas à tecnologia, pode -se esperar acima de 40 m3.
Com respeito às limitações e restrições socioambientais, o importante é se levar em consideração a legislação existente e as informações disponíveis a respeito das tendências regionais. Há de se admitir a existência das unidades de conservação e suas áreas de amortecimento, as regiões com potencial para se transformarem em UCs e as áreas já planejadas para se tornarem futuras UCs.
Quem atua no setor, sabe onde se encontram essas informações e os profissionais capacitados para tratar desse assunto. Localizar-se nas proximidades de áreas de grande interesse ambiental é correr risco permanentemente!
Não dar importância a eventuais questões ambientais pode ser limitativo à continuidade de promissores empreendimentos. A mesma preocupação cabe para regiões onde existem populações tradicionais, comunidades indígenas e atividades extrativistas.
No que diz respeito à logística, uma má localização pode sacrificar de forma irremediável o sucesso do empreendimento! Tivemos no passado, enormes áreas reflorestadas, que por problemas de logísticas foram totalmente dizimadas pelo fogo e pelas formigas.
Erro de logística é um belo e apetitoso prato para formigas! Esses indicadores básicos estão longe de assegurar o sucesso dos empreendimentos florestais, mas entendê-los e administrá-los com conhecimentos é dar o direcionamento correto aos empreendimentos!
Acertar, por acaso, esses indicadores, pode ser uma tremenda coincidência e sorte, mas na maioria das vezes é muito mais seguro contar com o profissionalismo e competência de quem conhece silvicultura, do que contar com a sorte!
Fonte: Painel Florestal